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O trator-pá e o nome da toura

por Carlos Neves, em 24.02.21

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Em 1981, eu: 

- Pai, quero uma escavadora de brincar!

- Tens ali a do trator! 

E tinha, mas não era de brincar. O Fordson Super Dexta, com direção "a broa" (os entendidos vão perceber) que o meu pai comprou em 1963 tinha um “carregador frontal”, que ainda funciona. Diz lá “hidraulic horn” - cornos hidráulicos :) Foi comprado usado esse carregador, numa sucata, tal como uma debulhadeira, que tinha sido de Bento Amorim, antigo Presidente da Câmara, abastado agricultor e proprietário vilacondenses do séc XX, dono de quintas em Macieira e Vairão, onde esteve o museu agrícola e onde está agora a Delegação da Direcção Regional de Agricultura, o polo da Universidade do Porto e, se não estou em erro, também o LNIV, Laboratório de investigação veterinária. 

Alguns anos depois o meu pai comprou um carregador melhor, da marca Galucho, também de ocasião, para o Ferguson 265, Trator que teve então direito a ir a Braga receber uma direção assistida, para deixar de funcional “a broa”. Mais tarde, em 1998, quando comprei o primeiro Jonh Deere, comprei também o primeiro carregador "a sério", que ainda está ao serviço. É o principal trabalho desse trator e por isso o Luís batizou-o de “Trator-pá”. O meu pai trabalhou muitas horas nele. Só nunca me comprou a escavadora de brincar… 

2021, o Luís:

- Pai, quero um trator de pedais, com pá, para brincar!

- Já tens um!

- Mas é pequeno e não tem pá, como eu vi num filme…

E isto durou umas semanas, e até houve uma passagem pela oficina dos tratores grandes, uma boleia para eu ir buscar um trator que esteve a reparar, e o Luís também foi atrás no carro e a pedir para parar o carro no lugar melhor para ver o trator de pedais na montra… "Mais para a frente… mais um bocadinho… Pára aí, mãe!” … Até que o pai do Luís se lembrou da escavadora que nunca teve em 1981 e a mãe concordou…

Ah, e o nome para a toura? Esteve quase para ficar "Toura", porque nenhum nome agradava ao Luís, mas o Pedro foi insistindo que tínhamos de escolher. Fui rever as sugestões e achámos bonita a ideia do Javier Garcia, das Astúrias: dar à toura um nome das vacas do avô, em sua homenagem. Fui buscar a agenda de 1981 e comecei a dizer os nomes. Princesa? Não. Rola? Não. Mimosa? Não. Janota? Não. "Estrela...?" “Sim, gosto de Estrela!" Pronto. Estrela. 

#carlosnevesagricultor

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publicado às 07:38



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