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Fruta da época e uma história curiosa

por Carlos Neves, em 19.08.21

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Passei as últimas semanas a saborear pêssegos acabados de colher (peço desculpa por não vos ter convidado, mas sabem como é, com o covid, temos de manter a distância 😊). O Luís ainda não gosta de pêssegos, mas gosta de atividades e gostou de me ajudar a colher os últimos pêssegos. A fruta colhida e comida na hora tem outro sabor, porque podemos colher um bocadinho antes de se estragar, quando está no máximo amadurecimento, com mais açúcar, ao contrário da fruta que tem de ser colhida ainda um pouco verde para não se danificar no percurso entre o pomar, a central frutícola, o armazém, o mercado ou supermercado e a casa do consumidor. Nos últimos tempos comi ameixas e pêssegos, já colhemos maçãs e hoje comi uma pêra. Soube-me bem e lembrei-me do meu pai que plantou e cuidou deste pomar.

Toda esta diversidade fez-me também recordar um episódio com quase 32 anos. Em 1989 fui para a Casa- Escola Agrícola Campo Verde, em S. Pedro de Rates. Todos os meses havia visitas de estudo. A primeira visita foi a Braga, à Sociedade Agrícola da Veiga do Penso, que pertencia ao Presidente da Escola e Presidente da Cooperativa de Braga, Sr. Francisco Marques, que nos recebeu e respondeu às perguntas para o relatório que tínhamos de elaborar. A quinta tinha uma vacaria com alguma dimensão e também produção de vinho e fruta (maçãs e pêssegos, se não estou em erro).
Um ou dois meses depois, na festa de Natal da Escola, o Sr. Marques quis conhecer-me. No relatório da visita, além da descrição tínhamos que fazer uma avaliação apontando o positivo e o negativo e entra 30 alunos eu fui o único que fez uma crítica. Disse que a empresa agrícola estava bem organizada, mas “muito e bem há pouco quem”, e se o agricultor se especializasse numa atividade podia trabalhar melhor. Não me recordo exatamente como terminou a conversa, mas foi o ponto de partida para a relação cordial que tive até hoje com o Sr. Marques. Creio que me terá explicado que as várias atividades agrícolas permitiam manter ocupada a equipa de trabalho ao longo do ano. Mais tarde até estagiei lá durante uma semana.
A ideia da agricultura especializada ser “melhor” do que a “policultura” tradicional não nasceu na minha cabeça. Era algo que eu tinha aprendido meses antes no livro de geografia do nono ano da Escola Secundária. A ironia é que, 30 anos depois, agora que os agricultores estão mais especializados, os atuais livros de geografia e outros livros escolares criticam a “monocultura” e a “perda da diversidade” na agricultura intensiva. É a “fruta da época” em que vivemos…
#carlosnevesagricultor

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publicado às 18:48



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