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Ligar aos mais velhos

por Carlos Neves, em 05.11.22

44511 idosos foram sinalizados pela GNR por viverem sozinhos ou isolados em situação vulnerável em zonas rurais, segundo um comunicado divulgado esta semana.

Antigamente a nossa vida era mais curta e as nossas famílias e casas eram maiores. Numa família numerosa era mais fácil encontrar algum filho, quase sempre filha, disponível para sacrificar a sua vida a cuidar dos pais até ao fim da vida. Tenho um enorme respeito e admiração por aqueles e aquelas que cuidaram, cuidam e também precisam de apoio.
Por outro lado, temos hoje segurança social e respostas comunitárias de IPSS que antes não existiam. Apesar do muito que ainda falta fazer e melhorar, temos lares para residência permanente e centros de dia onde os mais velhos podem passar umas horas de convívio com algumas atividades, ter apoio para as refeições e higiene pessoal. E essas horas no centro de dia são também as horas de descanso possível para os cuidadores familiares, para fazer as compras ou para o seu ganha-pão. Deixo aqui uma palavra de agradecimento aos trabalhadores que cuidam dos nossos mais velhos e uma palavra de encorajamento a quem esteja com vergonha ou receio de ir para um centro de dia.
A solidão é dolorosa. As visitas de amigos e familiares atenuam essa solidão, mas se já era difícil encontrar tempo disponível (e coragem, às vezes) para visitar um familiar ou amigo idoso, a necessidade de os protegermos da pandemia deixou-nos ainda mais distantes e aos idosos mais sós.
Por outro lado, hoje temos tecnologias que nos ajudam a manter o contacto, mesmo com os familiares do outro lado do mundo. Claro que um idoso nem sempre consegue fazer uma videochamada no tablet (às vezes, será uma questão de algum tempo e paciência), mas um simples telefonema já vale a pena, nem que seja para dar os bons-dias e falar sobre o estado do tempo, quando não sabemos mais o que dizer. Vamos ligar mais aos mais velhos?
#carlosnevesagricultor

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publicado às 19:10

Conduzir e Operar o Trator em Segurança

por Carlos Neves, em 02.11.22

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Ligaram-me a propor a frequência de um curso COTS - Conduzir e Operar o Trator em Segurança, dizendo que será obrigatório a partir de Julho de 2023. É um curso de 35 horas e tem um custo de 200 euros. Respondi que não preciso de fazer essa formação, porque obtive a carta de trator frequentando o curso de Operador de Máquinas Agrícolas, onde o módulo da segurança está incluído. Insistiram comigo, pediram-me o e-mail para enviar mais informação e basicamente enviaram a ficha de inscrição.
Liguei para duas organizações agrícolas onde já recebi formação e confirmei a informação que tinha:
- Quem tem o curso de Operador de Máquinas Agrícolas não precisa de fazer o COTS.
- Parece haver dúvidas em relação a quem tirou a carta de conduzir trator numa escola de condução.
- Não há dúvida de que essa formação é obrigatória para quem tem apenas carta de condução de ligeiros ou pesados e pretenda conduzir trator.

Importante: é possível obter essa formação de forma gratuita nas organizações agrícolas que têm fundos comunitários para isso. Informe-se antes de pagar.
Se entretanto já fez ou vai fazer esta formação, é sempre útil. Todos os anos morrem dezenas de portugueses debaixo de tratores. Se servir para evitar que alguém se magoe ou perca a vida, já vale a pena.
P.S. Não esquecer que é obrigatório renovar a carta de trator aos 50 anos (esquecer a data de validade indicada) porque a lei mudou.
#carlosnevesagricultor

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publicado às 21:22

Per vitam ad sanitatem - Confraria Nacional do Leite

por Carlos Neves, em 22.10.22

 

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"Através da vida, pela saúde" é o lema da Confraria Nacional do Leite que hoje se reuniu em "capítulo de entronização" de novos confrades em Barcelos, o concelho com maior produção de leite do país. Como em todas as confrarias, o encontro anual, agora retomado após dois anos de pandemia, é momento de encontro entre as gentes que dedicam a sua vida à investigação, produção, transformação e comercialização de leite e produtos lácteos e que aqui renovam o seu compromisso de promover e defender este alimento. Leite é vida.

#carlosnevesagricultor

#leite

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publicado às 08:22

Porque se rega nas horas de maior calor?

por Carlos Neves, em 08.10.22

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Um amigo ficou sobressaltado ao ver “regas de jardins públicos ou campos agrícolas nas horas de maior calor”, convicto que “uma grande parte da água evapora antes de chegar ao solo”. “Porque não efetuam essas tarefas a outras horas?” Penso que é uma boa pergunta, que deve inquietar muita gente e aqui estou para responder. Da parte dos jardins públicos não quero falar, deixo para jardineiros e autarcas, sobre a rega de culturas agrícolas, como o milho, posso dizer alguma coisa.

Eu sou um dos agricultores que, às vezes, rega nas horas de maior calor e também nas horas mais frescas e nas horas de temperatura intermédia. Rego a qualquer hora, quando posso, se tiver água, conforme ela nasce nos poços, em períodos intermitentes, ao longo das 24 horas do dia. Há poços que dão meia dúzia de horas de água por dia (muito bom), outros apenas meia hora, mas não tenho capacidade de armazenamento para escolher regar apenas de noite, quando há menos evaporação. Tenho que aproveitar a água disponível. Só quando tenho excesso de vento é que me sinto obrigado a suspender as regas.

Em sentido oposto, noutros campos não rego. No caso de algumas parcelas não tenho água disponível, noutras não tenho eletricidade, noutros tenho tudo mas não tenho tempo para fazer o trabalho e em alguns casos específicos, os tradicionais “lameiros” não é preciso regar porque a terra tem humidade suficiente (no inverno costuma ter excesso, daí serem “lameiros”, com lama).

Quem tiver água armazenada, acesso ilimitado a um rio ou regadio e um sistema de rega sofisticado, pode programar a hora de rega. Quem tem de “mudar a rega”, afinar o aspersor e vigiar como corre, aproveitar a água disponível e estar atento para desligar o motor quando a água acaba, está limitado a fazer isso durante o dia, quando tem luz, e, por vezes, depois de ordenhar e alimentar as vacas, portanto, quando tem tempo. 

Entretanto, há novos fatores a ter em conta. Tradicionalmente, a eletricidade era mais barata de noite, altura de menos consumo, mas para quem tiver painéis solares a eletricidade é “grátis” durante o dia (ou será a única disponível). Reparem nisto: À medida que tivermos mais sistemas de energia solar a injetar eletricidade na rede poderemos ter de mudar o paradigma e aconselhar a rega nas horas de maior calor.

No caso do milho, os especialistas dizem que a rega por aspersão tem uma eficiência entre 85% a 90% durante o dia e 91% a 95% durante a noite. Portanto, 5 a 10% não é uma grande diferença nem é “uma grande parte da água”. 

É preciso ter em conta que o milho é uma planta muito interessante em termos de aproveitamento de água. Ao contrário de outras plantas, as folhas do milho conduzem a água até ao caule por onde desce para junto da sua raiz. Acresce que o milho não sofre por ser regado nas horas de maior calor, pode até agradecer o arrefecimento em dias de aquecimento excessivo, ao contrário de outras plantas. Não se pode generalizar, é preciso ver caso a caso, ouvir os especialistas, pesar os prós e contras de cada opção e decidir sem fundamentalismos.

#carlosnevesagricultor

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publicado às 22:05

Se um desconhecido lhe oferecer alcatrão, desconfie!

por Carlos Neves, em 02.10.22

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Este semana, pela terceira vez, fui abordado por uma pessoa a falar inglês, com a seguinte conversa: “Estamos a fazer uma obra a 6 km daqui e vai sobrar algum alcatrão…” Não teve tempo de dizer mais, pois eu disse-lhe que não e foi à vida dele num carro branco que me pareceu um opel corsa de último modelo.

Nas outras vezes, em anos passados, também recusei a “oferta”, apesar de achar tentadora. Uma pessoa minha conhecida aceitou a proposta. Ouvi-o depois dizer que “é tudo aldrabice”. Muito recentemente, soube de outro caso: disseram que ia sobrar um pouco de alcatrão ao fim da tarde e faziam um preço barato. Vieram só no dia seguinte, com um camião inteiro e no fim faturaram mais área, mais espessura do que a realidade, passando fatura de uma empresa espanhola com IVA.

Quem quiser saber mais sobre isto tire uns minutos e pesquise notícias sobre “gang do alcatrão”. Vai encontrar notícias da prisão de um desses grupos, os comunicados de aviso da GNR, a notícia de que ameaçavam as vítimas com violência para cobrar mais do que o combinado. Repito aqui um texto importante:

"A GNR aconselha: se tiver conhecimento ou o contactarem para alcatroar ou fazer obras de melhoramento na sua habitação ou empresa, desconfie e contacte de imediato as autoridades.

Um grupo do crime organizado internacional, que atua por toda a Europa, sob o disfarce de uma empresa de aplicação de alcatrão, foi detetado a atuar em Portugal.

As vítimas são, habitualmente, pequenos empresários e proprietários de herdades que dispõem de locais por alcatroar ou com o piso alcatroado em más condições, designadamente estacionamentos ou acessos a casas ou empresas.

Os burlões aproveitam, na maior parte das vezes, a ausência dos proprietários, “invadem” habitações ou empresas, e, sem qualquer autorização, iniciam um trabalho de alcatroamento das entradas ou dos acessos às casas ou edifícios empresariais, disponibilizando serviços de pavimentação, com recurso a maquinaria, a custos reduzidos, com alcatrão excedente de obras anteriores, dispondo-se a cobrar apenas o valor da mão-de-obra.

No final da “obra” realizada, pedem quantias avultadas pelo serviço, exigindo o pagamento em dinheiro, na maioria das vezes ameaçando e intimidando as pessoas para pagarem a quantia e da forma exigida."

Já sabe: Se um desconhecido lhe oferecer alcatrão, não caia no impulso de aceitar. Partilhe esta informação para que todos se possam prevenir!

#carlosnevesagricultor

#gangdoalcatrao

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publicado às 08:42

Porque é que deixamos o milho esquecido nos campos?

por Carlos Neves, em 26.09.22

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“Se as rações estão mais caras, qual o motivo pelo qual vejo imensos campos de milho que não foi apanhado e acabou por secar? Os agricultores não precisam desse milho para alimentar os animais?”

Boa pergunta. Para os agricultores a resposta é óbvia, mas para quem não é agricultor é uma pergunta que faz sentido e à qual tenho todo o gosto em responder, tal como os meus colegas “agro-escritores” norte-americanos já fizeram. 

A resposta é simples: quando o objetivo é conservar o milho através de silagem, a colheita é feita com a planta verde, com cerca de 35% de matéria seca. Toda a planta é cortada / picada e a presença de humidade é importante para uma correta fermentação e conservação da silagem. Se o milho estiver muito seco, acima dos 40% de matéria seca, é mais difícil a compactação para expulsão do ar, a fermentação, a conservação da silagem e a digestão pelos animais. 

Se o objetivo for apenas colher os grãos de milho, para utilizar nas rações para animais, no fabrico de broa de milho ou até para fazer cerveja ( sim, o gritz de milho é utilizado no fabrico da cerveja), nesse caso os agricultores deixam o milho a secar nos campos para colher quando tiver aproximadamente 20% de humidade no grão. 

Tradicionalmente, as espigas de milho eram guardadas nos espigueiros e secas pelo vento que os atravessavam ao longo dos meses e o milho debulhado (retirado da espiga) era seco ao sol na eira. O milho só pode ser armazenado e utilizado nas rações se tiver 14% de humidade (acimda disso pode ganhar bolor), portanto depois de colhido vai ao secador, que funciona a gaz, cujo preço é mais um motivo para deixar o milho secar bem no campo antes de colher. 

Há também um processo intermédio de conservar o milho que é o “Pastone”, que é uma silagem feita apenas com grão ou espiga quase seca.

Mas porque é que se vêem hoje mais campos de milho seco do que há alguns anos atrás? De facto, aqui na minha região, ao longo dos últimos 50 anos, o milho foi quase todo colhido para silagem para alimentar as vacas leiteiras, à medida que a produção de leite se generalizou. Nos últimos anos, muitos agricultores abandonaram a produção de leite mas continuaram a cultivar os campos ou arrendaram a terra a outros agricultores, como é o meu caso. Em parte da terra que aluguei cultivo milho para silagem para alimentar os meus animais, noutros terrenos cultivo milho que deixo secar para grão que vai ser vendido para fazer rações para as várias espécies pecuárias.

O facto do haver falta de milho no mercado mundial, de ter melhor preço atualmente e de haver alguns secadores privados e um grande secador cooperativo agora a funcionar na região explica porque se vêem este ano mais campos de milho “seco” do que se via antigamente. Infelizmente houve ainda algumas situações em que a falta de água não permitiu a produção de milho e não há sequer milho para colher. Espero que sejam situações pontuais, mas sei que houve muitos casos de menor produção e menor qualidade, em que se fez “silagem sem espiga", para aproveitar o pouco que cresceu.

#carlosnevesagricultor

#milho

#milhogrão

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publicado às 22:02

Órfaos e viúvas das colheitas

por Carlos Neves, em 24.09.22

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O tempo de colheitas é talvez o tempo de maior alegria para os agricultores mas é também o tempo de maior exigência. Para os agricultores e produtores de leite como nós significa adicionar ao trabalho de rotina com os animais uma longa jornada extra de trabalho no campo, jornada que às vezes se prolonga pela noite dentro. Colheita que é igualmente exigente no caso do milho grão, das vindimas, da fruta ou qualquer outra cultura.
Colheita que exige a dedicação dos agricultores, dos prestadores de serviços que conduzem as máquinas e tratores contratados para a colheita, dos mecânicos que asseguram rápidas reparações a qualquer hora para o funcionamento permanente, necessário para aproveitar as janelas de bom tempo.
É também um tempo exigente para os que se sentem "órfãos" ou "viúvas" das colheitas, filhos e esposas que deixam de ver pais e maridos durante semanas. Não inventei esta expressão, fui buscá-la a "agro-escritores" americanos (outra palavra que aprendi), partilhada num texto da The Farmer's Daughter. Noutro registo, a Modern-day Farm Chick escreveu também esta semana sobre o desafio de segurar as pontas com dois gémeos bebés nos 15 dias de silagem. Agora, mais crescidos, já vão na cabine dos tratores e máquinas de ensilar a colecionar experiências e memórias. Bom trabalho, boas colheitas e não se esqueçam de comunicar com os mais próximos!
Para quem quiser seguir, coloco ligação para os dois textos que referi:

https://www.agdaily.com/insights/farm-season-when-many-become-harvest-orphans/ 

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=pfbid02PV6ajcBw1wWjKfNjaUNHq92F1rBxVaiE7eGoXXDebBgfFzAzZy7rySStWJPmbkP9l&id=100044307825512

 

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publicado às 14:35

Biogás

por Carlos Neves, em 18.09.22

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“Em França não há gás mas há ideias”. Vi esta imagem há uma semana partilhada por Paul Aballea no grupo “La page des producteurs de lait” e recordei uma visita de estudo feita há mais de 30 anos com os colegas da Casa-Escola Agrícola Campo Verde, em S. Pedro de Rates, concelho da Póvoa de Varzim. A escola funcionava então na antiga casa da D. Laura, agora sede da junta de freguesia, a nascente da velha igreja romana que fica no caminho de Santiago.

Foi uma das viagens para visita mais curtas de sempre. Saímos da escola a pé e caminhamos pelas ruas da povoação até encontrarmos uma “casa de lavoura” com um arcaico sistema de biogás a funcionar. O senhor tirava uma pequena cisterna de 3000 ou 4000 litros de chorume (estrume líquido) da fossa das vacas e colocava numa outra fossa, circular, (feita com argolas de poço) e com dupla parede. Entre as duas paredes havia água que servia como vedação para o gás não escapar e havia também uma tampa oscilante, que subia ou descia consoante a presença do gás libertado e acumulado. Do centro dessa tampa uma mangueira conduzia o gás até um pequeno fogão a gás colocado no alpendre, à porta da cozinha (ficava cá fora por causa do cheiro).

Não sei se o senhor ainda vive e o sistema ainda funciona, provavelmente não. Sei que mais tarde, de autocarro, visitamos um complexo sistema de biogás na “Quinta dos Ingleses” em Lousada, que anos mais tarde foi desativado, antes da vacaria e aviário que também já fecharam. Sei de um outro sistema a funcionar atualmente numa vacaria em Monte Real (Leiria) e outras unidades que aproveitam o biogás libertado em aterros sanitários. Sei que antes de eu chegar à Escola agrícola o meu pai já tinha um dossier com informações sobre o biogás e sempre teve esperança de ver o sistema avançar. Sei que na França, na Alemanha e noutros países do norte da Europa há várias unidades de biogás, algumas inclusive produzindo biogás a partir da silagem de milho (sem passar pelos animais).

O princípio do biogás consiste em colocar matéria orgânica num “digestor” para libertar o gaz que depois vai ser acumulado e usado para aquecimento ou produção de energia. O efluente restante mantém as qualidades fertilizantes com menos mau cheiro. Ao longo dos anos, por diversas vezes prestei informação e colaboração a investigadores que tencionavam desenvolver um sistema “chave na mão”, para o aproveitamento do biogás para aquecimento ou produção de energia elétrica. Por razões que desconheço nunca chegaram a bom porto.

Mantenho uma dose elevada de ceticismo em relação ao biogás, porque se fala disto há muito tempo sem ver a tecnologia expandir-se. Regra geral, quando uma tecnologia funciona e é rentável, quando dá resultados, essa tecnologia é adotada sem precisar de grandes apoios. Admito que ainda falte alguma ou muita coisa. Certamente o gás russo era mais barato, mas agora as contas certamente mudaram. Talvez valha a pena olhar de novo e com mais atenção para esta tecnologia.

#carlosnevesagricultor

#biogás

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publicado às 23:43

Outras máquinas noutros tempos

por Carlos Neves, em 08.09.22

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Com o milho silagem guardado no silo, aproveitei o final da manhã de ontem para ir buscar uns rolos de erva (rolos de fenosilagem, plastificados) a um campo distante, a “Bouça Aberta”. Durante a viagem de quase 4 km, viajei também no tempo 40 anos e recordei a altura em que o meu pai comprou esse campo no meio de bouças. Nessa altura, estes tratores, o Massey Fergusson 265 e o Fordson 45 eram as máquinas disponíveis para fazer a silagem e tudo o resto.
O Massey Ferguson cortou silagem quase 20 anos, primeiro com uma máquina Krone, depois com uma Claas Jaguar 25. A referência dos modelos automotrizes da mesma marca que agora se usam já vão nas sérias 800 e 900. Cortam num dia aquilo que demorávamos um mês a ensilar. Só esse campo com 2 hectares levava uma semana. A partir dos 9 anos, ajudado pela minha mãe no primeiro ano, eu conduzia o trator a ensilar com máquina e reboque enquanto o meu pai transportava com o Fordson. Usávamos dois reboques com capacidade para 4000 kg cada (em 1990 passámos para 5000). Depois de ter o reboque cheio ainda tinha tempo de apanhar castanhas nos castanheiros das beiradas do campo, que guardava na caixa de ferramenta do trator, para depois assar nas noite seguintes no fogão a lenha. Debaixo dos castanheiros também almoçava o farnel ou comia a merenda, enquanto esperava que o meu pai voltasse da viagem do campo ao silo, demorada ainda pelo trabalho de espalhar a silagem ao gancho e calcar com o mesmo trator. Tratores que, não tendo tracção dupla, enterravam no silo com muita facilidade. O que a gente andou até aqui! O trabalho era mais duro, mais difícil e menos produtivo, mas mais bem pago e muito menos criticado.
#carlosnevesagricultor

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publicado às 08:15

Livro na agrosemana

por Carlos Neves, em 31.08.22

 

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Passei a manhã e o início da tarde a ajudar um dos vizinhos que me ajuda, "acartando" silagem para a casa de lavoura onde funcionou o posto do leite de que falo no meu livro, na "história da produção de leite na minha família". Ao fim da tarde recolhemos as mangueiras da rega, as que levam a água dos poços até aos caminhos de rega onde colocamos os enroladores. É um trabalho cansativo mas consolador. Significa que a rega acabou e a colheita está próxima.
Antes disso, porém, temos a AgroSemana, que decorre no espaço Agros, junto ao cruzamento da A28 com a A7 e o acesso a Vila do Conde. Entre 1 e 4 de Setembro, podem visitar uma das maiores feiras agrícolas do país, ver os nossos animais que vão estar no concurso, máquinas agrícolas, gastronomia regional, música, Gincana de Tratores, workshops de queijo fresco e muito mais coisas, incluindo a #cãominhada onde a Lassie vai participar com mais de 1000 cães inscritos, o concurso de jovens manejadores, onde o Luís vai participar com a Ameixa e... encontrar o meu livro "DESCONFINAR A AGRICULTURA" com as histórias da produção de leite, do milho, das regas e tudo o resto das nossas vidas agrícolas, no pavilhão dos expositores cooperativos, no Stand da Escola Agrícola Cea Campo Verde. Estaremos por lá tanto tempo quanto possível. Até já!
#carlosnevesagricultor
#desconfinaraagricultura
#crónicasagrícolas
#dopradoaoprato
#agrosemana

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publicado às 23:42


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