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Balanço do ano velho e antevisão do ano novo

por Carlos Neves, em 31.12.25

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Último dia do ano, últimos trabalhos, última foto dentro do trator para desejar bom ano e mandar um abraço a todos os que virem esta mensagem, a todos os que me fizeram companhia neste ano que passou.
Em 2025, li mais e escrevi e publiquei menos, por vários motivos, sobretudo porque, como é normal na agricultura, os dias e as tarefas se sucedem iguais, dia após dia, ano após ano e nem sempre há coisas novas para dizer. A primavera foi chuvosa, o verão foi seco e assim continuámos até meio do Outono. Tive medo que depois do verão seco que me obrigou a regar como nunca começasse a chover na hora da colheita mas foi a época de colheitas mais tranquila dos últimos anos. Depois a segunda metade do Outono pareceu um inverno à moda antiga. Curiosamente o sol voltou desde que o inverno oficialmente começou.
Para mim e para a minha agricultura não foi um ano espetacular nem foi um ano complicado, foi um ano bom, razoável, "mais ou menos".
2026 começará com algumas nuvens negras, mais concretamente sobre o preço do leite, a nossa principal produção aqui na "bacia leiteira" do Entre Douro e Minho. Teremos que ser prudentes e resistentes, tanto em relação aos problemas como às soluções milagrosas com que algum tocador de flauta nos queira encantar.
O mais importante é ter saúde, para que daqui a um ano possamos olhar para trás, avaliar o que fizemos e descobrir que não vale a pena sofrer por antecipação, porque "nunca chove como venta". Já passámos por muito e somos os herdeiros e continuadores de quem passou muito mais.
A agricultura vai continuar, "a vida encontra sempre um caminho" e eu aqui voltarei sempre que tiver uma imagem, um assunto, uma história e tempo para publicar. A todos, em especial aos que se sintam mais sós, doentes ou angustiados, um abraço e votos de bom ano novo. Quando estamos em baixo, a única saída é para cima!
#carlosnevesagricultor #agricultura #2026 #bomanonovo

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publicado às 18:25

Dividir para reinar

por Carlos Neves, em 17.12.25

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Amanhã, 18 de Dezembro de 2025, haverá uma importante manifestação em Bruxelas. Não estarei presente, mas estarei certamente bem representado por muitos agricultores portugueses e de toda a Europa que se vão manifestar por muitos motivos, mas essencialmente contra o acordo do mercosul e contra a proposta de redução de 20% do orçamento da próxima PAC, política agrícola comum.
É certo que a Europa precisa de ir buscar a algum lado o dinheiro para se defender, ameaçada por uma Rússia que quer voltar a dominar o território da União Soviética e "abandonada" pelo tradicional aliado americano, mas os decisores europeus não podem esquecer que a agricultura tem que ser estratégica e que a ocupação do território e a produção de alimentos fazem parte da segurança.
Penso que começa a ser evidente que a Europa seguiu nas últimas décadas um caminho demasiado esverdeado e demasiado regulamentado, tudo isso pode ser discutido, inclusive se queremos mais integração ou mais autonomia dos países, mas convém não cair na ilusão dos que querem ver Bruxelas a arder e a União Europeia a terminar.
Uma Europa dividida é o que querem os rivais da Europa, os mesmos que apoiaram o brexit. Para poderem dominar o mundo, económica ou militarmente, querem uma Europa dividida, países divididos, agricultores divididos.
Dividir para reinar e incentivar revoluções para ocupar o poder são estratégias muito antigas que não devemos esquecer para não sermos também nós usados nessa estratégia de divisão. A democracia só será possível com mais diálogo, mais argumentação racional e menos "ódio digital".

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publicado às 20:22

Do Monte Saint-Michel à Ferme Cara-Meuh

por Carlos Neves, em 10.12.25

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A viagem de avião do Porto a Nantes durou cerca de hora e meia. Chegámos já de noite, debaixo de chuva, pernoitamos num hotel junto ao aeroporto de Nantes e no dia seguinte seguimos viagem num carro alugado, durante duas horas, até à baía do Monte Saint-Michel. Para ser menos cansativo, procurei alojamento numa das muitas casas de turismo rural da região. Durante essa busca, reparei no mapa que havia muitas quintas com produção de hortícolas e criação de ovelhas e vacas. Perguntei num grupo de produtores de leite franceses por vacarias que poderia visitar na região e vários sugeriram a Ferme (quinta) Cara-Meuh. "Cara" é de caramelo e "Meuh" é como as vacas francesas dizem "múu". É mais chique😅...
Aceitei a sugestão porque o nome já me era familiar, uma vez que tinha sido convidado para um evento dos produtores de leite Europeus, EMB, nesse lugar mas na altura não foi possível participar.
Depois de visitar o Monte, ao fim da tarde dirigimo-nos à Ferme Cara-Meuh que está a 25 minutos a Norte do Monte Saint-Michel e pertence à família Lefranc há várias gerações, desde 1929.
Em 2009, em plena crise do leite na Europa quando o preço por litro desceu aos 20 cêntimos, houve uma greve do leite durante 15 dias na França e a família desta quinta também participou nas manifestações com espalhamento de leite nos campos junto ao Monte Saint-Michel. Depois, insatisfeitos com os resultados, começaram a procurar formas de valorizar diretamente o leite. Em 2010 começaram a produzir caramelos, natas e manteiga e em 2011 iniciaram a reconversão da produção para o modo biológico. Começaram a fazer venda direta e abrir as portas da quinta ao fim de semana. Agora organizam anualmente o festival "Cara-Meuh". Em 2017 adaptaram um velho autocarro para galinheiro móvel, e em 2018 começaram a produção de mel. Com as dificuldades do confinamento por causa do covid, anteciparam o projeto de fazer queijo e mais recentemente cerveja com base na cevada que produzem. E agora até lançaram um queijo com
cerveja...
A loja da quinta, aberta nos 7 dias da semana, tem disponíveis mais de 600 produtos próprios e da região e no piso superior um "museu do leite" que merece a visita. Tendo chegado à quinta quase ao anoitecer, já não tivemos luz para ver todo o espaço exterior, mas pudemos ver as vacas a serem ordenhadas, coisa que vemos todos os dias, mas na nossa vacaria temos um robô de ordenha e assim pude mostrar ao meu filho mais novo como era o nosso trabalho antes do robô chegar há 12 anos.
Se visitarem Saint-Michel e não tiverem hipótese de ir à quinta, encontram os caramelos e mais alguns produtos na primeira loja de souvenires logo após a passagem da "ponte levadiça" nas muralhas do monte.
#carlosnevesagricultor #agricultura #viagens #montsaintmichel #carameuh

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publicado às 19:14


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