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Ó Sô Guarda!!!

por Carlos Neves, em 27.03.21

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“Sô Neves, estou a adorar as suas crônicas policiais!” :) , disse-me uma pessoa com o sotaque típico de quem fala “português com açúcar”. “Já acabou”, respondi eu, “contei dois episódios no último texto”. Mas depois vi uma foto de uma polícia rural inglesa. A foto de um chocolate de leite que uma criança tinha oferecido aos agentes em agradecimento por alguma coisa. Passei pela foto, sorri e quando voltei a procurar encontrei o site da polícia mas não encontrei a foto. Talvez tenham apagado para não fazer publicidade. Mas, no meu baú, encontrei meia dúzia de fotos que quero partilhar aqui, em jeito de “episódio extra” ou “encore”: 

1) Para reafirmar que, em geral, os agentes da PSP ou GNR que encontrámos foram educados, compreensivos e impecáveis no trato connosco durante as nossas manifestações; 

2) Para agradecer a indignação e a intervenção do Norberto Gonçalves e da comunicação social durante o absurdo da “operação stop” a uma tratorada que foi devidamente comunicada; 

3) Para sublinhar que, quando a polícia foi chamada à loja do Pingo Doce da Póvoa de Varzim (o que é compreensível, ao verem 20 agricultores a encher carrinhos com pacotes de leite e a colar cartazes de “leite importado”) o Gil Ramos e o Sérgio Matias chegaram-se  à frente para serem identificados porque eu “já estava a ficar com muito cadastro” :) (felizmente não houve mais nada nesse episódio além da identificação).

4) Para desabafar que nós é que devíamos chamar a polícia pelo preço que nos pagam e por certos descontos que nos fazem nas tabelas do pagamento de leite quando  o teor de gordura do leite foge ao padrão (os entendidos vão entender).

5) Para chamar a atenção que precisamos de mais patrulhamento da polícia nos meios rurais, porque continuam a suceder assaltos a motores, bicos de rega, cabos elétricos, postos de transformação (PTs), etc…

E como diria o Forrest Gump, “isto é tudo o que tinha a dizer neste momento”.

#carlosnevesagricultor

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publicado às 08:16

Entrevista Sociedade Civil - RTP2

por Carlos Neves, em 25.03.21

A minha entrevista ao programa sociedade civil do dia 24 de março de 2021 sobre o leite e produtos lácteos:

https://youtu.be/IFg5e8ppypg

 

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publicado às 22:24

Outros encontros com a polícia 🚓🚔

por Carlos Neves, em 24.03.21

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1) “Arguido"

Em Novembro de 2012, fui chamado ao posto da GNR de Vila do Conde para prestar declarações. Pensei que fosse por causa do aspersor (bico de rega) que me tinham roubado no Verão. Enganei-me. Era arguido por causa de uma manifestação em Lisboa. Que se passara? 

Em Agosto desse ano, recebemos a notícia de que a Lactogal ia baixar um cêntimo no preço do leite ao produtor, com a agravante de sabermos que o “preço Lactogal” é a referência para os outros compradores. A crise de preços baixos já vinha de trás, o que motivou manifestações à porta dos supermercados em 2009 e à porta da fábrica da Lactogal, em Modivas, 2011. Faltava pedir a intervenção dos governantes. Combinámos uma concentração de produtores de leite em Lisboa, frente ao parlamento, a 4 de Setembro de 2012, organizada pela APROLEP e pelas cooperativas da zona Norte. O aviso da manifestação foi assinado por mim, em primeiro lugar, e por outras duas pessoas. Foi um erro nosso, assinar a título individual e não como representantes de organizações. 

Enviado o aviso, fui contactado pela PSP de Lisboa e combinámos que os autocarros deixariam os manifestantes junto ao rio e subiriam pelo passeio da rua até ao parlamento. Foi assim que aconteceu até que chegou um grupo mais numeroso, com bombos, e subiram pelo meio da rua, acompanhados pela polícia sem oposição (só soube disso mais tarde). Eu fora mais cedo com dois colegas, preparar o espaço, afixar as faixas e o que fosse preciso. Ao entrar em Lisboa ligam-me da empresa que levava a instalação sonora… tinham receio de não ter gasolina suficiente para o gerador. Fomos então comprar gasolina para levar para uma manifestação :) . Se os serviços secretos nos tivessem sob escuta ainda havia de ser bonito… 

A concentração / manifestação decorreu sem incidentes, a polícia elogiou o nosso comportamento, a mensagem passou e no dia seguinte levamos à ministra Assunção Cristas uma proposta para os supermercados aumentarem 3 cêntimos no preço ao consumidor e passarem à indústria que passaria ao produtor. A ministra empenhou - se, ao princípio todos disseram que sim mas depois alguém voltou atrás com a palavra… o aumento só veio meses depois, bem como uma pequena ajuda extra do governo (0,002 € por litro de leite). 

Antes desse aumento, chegou a minha constituição como “arguido”… Lá tive que ir aconselhar-me com o advogado e voltar ao posto da GNR uma segunda vez, para explicar como tudo se passou, que não fora responsabilidade minha se alguém andara fora do passeio. O processo foi depois arquivado porque o relator considerou que se tratou de uma manifestação e que na lei só estavam proibidos desfiles. 

 

2) Operação Stop a uma manifestação! 🤨

Alguns anos mais tarde, 14 março 2016, nova crise, 3000 pessoas e 200 tratores na rua a caminho da circunvalação, no Porto, para visitar a Direção Regional de agricultura (governo), o Pingo Doce e o Continente. Manifestação APROLEP, CNA E FENALAC. Concentrámos os tratores em vários locais na parte Norte do Distrito do Porto e depois o ponto de encontro central foi a Nacional 13 em Vilar, Vila do Conde, frente à antiga sede da Cruz Vermelha. Chega a hora prevista, a GNR pede-nos para iniciar a marcha porque o transito começava a parar. Nós também queríamos ir rapidamente até ao Porto para nos juntarmos aos colegas que foram de carro e autocarro. Seguimos a bom ritmo até perto do cruzamento das Guardeiras… quando a polícia nos faz paragem. Tinham recebido ordens de Lisboa para pedir os documentos de todos os 200 tratores. O incómodo dos agentes pelo absurdo da situação era fácil de perceber. Ouvimos dizer, depois, que as chefias estariam com medo de alguma tentativa de bloqueio como a que acontecera semanas antes com os suinicultores em Lisboa. Valeu-nos a pressão das televisões a filmar a “cena”, chamadas por um colega nosso, e depois a intermediação da PSP do Porto, que estava na concentração. Ao fim de meia dúzia de inspeções parou a operação stop. Não houve multas e o resultado foi apenas uma enorme fila na Nacional13 atrás de nós. Seguimos para a manifestação sem mais incidentes e voltámos a casa a meio da tarde, em segurança e sem "arguidos".

P. S. 1)Em todas as manifestações sempre tivemos o máximo respeito pelas autoridades e sentimos o mesmo respeito por nós, por parte dos agentes em serviço que percebiam estar perante gente de trabalho a reivindicar justiça. 2)Houve um terceiro incidente quando a polícia nos veio identificar no dia em que fomos comprar leite ao Pingo Doce. Também não houve consequências (não é crime comprar leite 😀) 

#carlosnevesagricultor

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publicado às 08:48

Procurado pela polícia

por Carlos Neves, em 21.03.21

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Há cerca de 15 ou 16 anos atrás, nos primeiros meses do ano, recebi um telefonema de um agricultor vizinho, o Sr. Maia, que vivia a 500 metros de minha casa, no extremo Norte da freguesia de Árvore, junto às torres de Pindelo. Moreno, baixo, entroncado e bem-disposto, o Sr. António Maia, que Deus tenha, era natural da freguesia de Vilar também aqui no concelho de Vila do Conde, onde tinha a maior parte das terras que cultivava. Aqui em Árvore tinha apenas duas parcelas. Quem circulou pela Nacional 13 ao longo das últimas décadas deve ter-se cruzado muitas vezes com ele, tranquilamente ao volante do seu trator laranja, um Renault. Também tinha um Ford 3000, se a memória não me falha.

E o que me disse ele? “Neves, não venhas agora ao campo, que a polícia anda à tua procura. Eles perguntaram se eu sabia quem tinha vindo deitar água-choca no campo que estás a fazer, eu disse que não sabia e eles foram embora, atrás de outro assunto que apareceu".
Que se passara? Uma semana antes, eu tinha feito a “fertilização de cobertura” da erva com chorume (estrume líquido) das vacas. A erva gostou da fertilização azotada, cresceu e ficou bonita, mas algum vizinho não gostou do cheiro e chamou a polícia. Entretanto já tinha chovido, a chuva tinha incorporado o chorume na terra e “lavado” a erva, pelo que a polícia terá avaliado que não valia a pena continuar a investigação. Se quisessem, facilmente teriam chegado ao dono do campo e ao novo caseiro, que era eu.
No Verão desse ano aumentei a minha capacidade de armazenamento dos efluentes da pecuária e passei a colocar o chorume, nesse campo, apenas antes da sementeira do milho (na primavera) e da erva (no outono), incorporando imediatamente, com a charrua ou com a grade de discos, procurando espalhar de manhã quando está menos “nortada” e não voltei a ter a estranha sensação de ser “procurado pela polícia”. Agora coloco adubo azotado, porque a erva precisa de nutrientes para crescer, e ninguém se incomoda.
Nunca me tinha acontecido nem voltou a acontecer, mas sei que chamar a polícia cada vez que um agricultor sai para a rua com uma cisterna é prática recorrente em alguns locais. Eu sei que o cheiro incomoda, sei que as casas, campos, bouças e fábricas estão juntas no “desordenamento do território”, mas desconfio que muita gente pensa que o chorume (um produto natural, composto pelas fezes e urina das vacas) é um produto perigoso e que está proibido de ser aplicado na terra. Efetivamente a aplicação de estrumes ou chorumes está condicionada nos meses de novembro a janeiro, exceto quando houver uma cultura instalada, que era o caso. Ao levar para a terra os excrementos dos animais estamos a devolver ao solo o que sobrou da digestão dos alimentos que retiramos do solo para alimentar os animais. Estamos a fechar o ciclo. Economia circular, está na moda. Não chamem a polícia, deixem-nos trabalhar!
#carlosnevesagricultor

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publicado às 07:10

O milho e a agricultura de precisão

por Carlos Neves, em 18.03.21

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Tem sido quentes, secos e luminosos estes dias de março. O calendário diz que estamos na despedida do inverno. A natureza, com folhas, flores e dias fantásticos diz-nos que está a chegar a primavera. Os agricultores preparam as máquinas, encomendam sementes, adubos e olham para o calendário com a mesma ansiedade dos pilotos da fórmula 1 na grelha de partida.

“Como escolhem a data para começar as sementeiras de milho?” - perguntei a um grupo de gente que sabe disto. Primeira resposta: “O meu pai dizia que só se começa a semear quando tiramos o primeiro cobertor da cama. Eu uso uma vinha velha como sinal, quando rebenta podemos começar. No entanto estamos à espera que a terra fique mais seca, pois ainda está muito húmida. A vinha já está rebentada. Alguém usa algum critério mais cientifico?” “Nós começamos sempre a semear uma semana depois de ti”, respondeu outro. Um terceiro contou a experiência positiva de semear em Março e outro ainda, semeou em fevereiro, no Alentejo. Num ano correu muito bem, no ano seguinte correu muito mal.
Ao semear cedo algumas parcelas, não pretendo ser “o primeiro”, até porque a 6 de março já vi alguém a semear milho, portanto, escusamos de correr atrás do “prémio”. Eu procuro aproveitar a chuva da primavera para regar campos sem água de rega, para já ter em Agosto alguma silagem antecipada e ter em setembro milho grão para as galinhas, sem precisar de ir à eira ou ao secador. Para isso nesta altura e nestes campos uso variedades de “ciclo curto”, menos produtivas, mas precoces na colheita.
Há 40 anos atrás, o meu pai colocava um trator a bombear água da Ribeira da Granja, a partir da Arroteia de Baixo, uns 300 metros de extensão e alguns metros de declive a subir até aqui a casa onde outro motor elétrico bombeava mais algumas centenas de metros até ao “Campo do Sol”; Lá em baixo os canos rebentavam e metia-se cimento para consertar. Mais perto do campo, a mangueira, à superfície, na extrema do campo, ia sofrendo queimadelas cada vez que uma vizinha emigrante vinha de férias da Alemanha e “limpava” o "valo" com fósforos. Entretanto passámos a regar levando água com trator e cisterna... até que fiz um curso de “agro-gestão” na Leicar e ao fazer contas a esses custos, deixei de regar e passei a semear, mais cedo, milho curto (como via fazer um vizinho, agora meu senhorio), com bons resultados.
Num colóquio sobre milho e agricultura de precisão, que organizámos neste fevereiro, aprendi que para fazer esta agricultura não é obrigatório fazer investimentos pesados em semeadores, sensores, internet e antenas gps. Podemos começar por afinar bem o que temos, como semeadores e pulverizadores, fazer registos e recorrer aos dados e conselhos disponíveis. Quem vende sementes ou adubos pode fazer de forma gratuita análises ao solo e dar aconselhamento técnico. Isto é muito importante porque às vezes estamos a desperdiçar dinheiro, por causa de um nutriente que falta e a colocar outros em excesso. Há previsões gratuitas da meteorologia, até 10 dias com alguma segurança. Há aplicações para telemóvel, como “agrotempo” ou “climate fielview” e serviços associativos que nos dão indicações sobre datas da sementeiras, necessidades de rega e data ideal de colheita. Há estações de avisos sobre épocas de tratamentos para vinhas e frutas.
Entretanto, as temperaturas estavam amenas, mas como estaria a temperatura do solo? Não fazia ideia. Nunca tinha medido, mas tinha aqui um velho termómetro com sonda de 12 cm, de uma máquina que já não uso. Coloquei uma pilha nova e levei para o campo. 11,2ºC, 11,5ºC…Acima de 10 posso semear. só tenho alerta do agrotempo para a drenagem do solo, mas estes são terrenos altos e secos. Estão enxutos. Decidi arriscar, milho para a terra! É um risco calculado, porque estou a semear apenas 10% da área. O resto espera quase todo para o fim de abril.

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publicado às 11:02

Os cães da nossa vida 

por Carlos Neves, em 14.03.21

  

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“Então e cães, não tens?”, perguntou a minha prima, após mais um vídeo com gatinhos. Tenho, Isabel. E para mostrar que são importantes escolhi um domingo para escrever sobre eles. Foi aos domingos que comecei a ler a banda desenhada do “Príncipe Valente” no “Primeiro de Janeiro” que o pai comprava. Depois mudámos para o Jornal de Notícias e passei a seguir “religiosamente” os textos do saudoso amigo P. Rui Osório, que nos dizia para ter sempre “cara de gente salva” e, na Notícias Magazine, os editoriais da Isabel Stilwell e as deliciosas crónicas do “Tomás de Montemor”. Por isso, agora que escrevo eu, gosto de vos servir coisas especiais aos domingos.

Durante muitos anos, os nossos cães foram rafeiros que adotámos entre os vadios que passavam, quando a casota ficava vaga. Eram sobretudo cães de guarda, para “dar sinal” de alguma visita ou “gado solto”. O primeiro cão de me que lembro, que veio connosco da “casa de Quintão” era o “Piloto”. Naquele tempo, a casota do Piloto era um daqueles bidões de 200 litros, vazio, deitado e aberto numa das pontas. O Piloto, que devia ser arraçado de “pastor alemão”, lá se equilibrava com dificuldade em cima da sua casota redonda e escorregadia. Morreu de forma súbita e suspeita, poucos dias após um assalto que levou um aspersor da nossa cortinha (acho que era um “polaris” – tipo “River”, mas em tamanho grande).

Tenho uma vaga ideia de um “Leão” e de uma cadela que sucederam ao Piloto, mas o primeiro cão a ter direito a uma casota foi o Benfica. Por essa altura, começou a invasão do Iraque pelos Estados unidos e alguns mísseis americanos erravam o alvo e atingiam as posições dos seus aliados. Chamavam-lhe “fogo amigo”. Um dia, cheguei a casa, vi a casota do Benfica toda destruída e desatei a rir ao lembra-me do “fogo amigo” dos misseis americanos, mas fora apenas um descuido do meu pai a carregar um esteio com o trator 😊.

Hoje temos duas cadelas. A “Quica” toma conta e recebe mimos do outro lado da vacaria. Aqui mais perto temos a Xica. É uma cadela labrador, creme. Descobrimo-la à venda no olx, já quase adulta, depois de perdermos uma branquinha com poucos meses de vida. Fomos busca-la a Ponte de Lima. O anterior dono dizia que se chamava “Ruana” e que teria vindo de Espanha com a sua irmã. O meu pai queria chamar-lhe “Princesa” mas a Carina chamou-lhe “Chica”, ou “Xica”, sei lá, ela respondeu à chamada, ficou batizada e por cá ficou acompanhando o crescimento do Pedro e agora do Luís. Toma conta da casa e faz-nos bem. E vocês, querem mostrar-me os vossos cães? Tem histórias curiosas para contar?

#carlosnevesagricultor

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publicado às 07:28

A batalha do leite chocolatado

por Carlos Neves, em 13.03.21

Há um partido que todos os anos, várias vezes por ano, apresenta a mesma proposta e justificações. Nada de novo, portanto também não tenho nada de novo a responder, excepto repetir o que publiquei no "mundo rural" de Janeiro de 2019:

"O leite achocolatado tem estado debaixo do fogo do deputado André Silva, do PAN, que vai fazendo uns números de teatro no parlamento com pacotes de leite e cartazes a denunciar o teor do açúcar e a exigir o respetivo aumento do IVA. Já por duas vezes tentou e por duas vezes falhou, mas, assim como certas equipas querem jogar até marcar, certos ativistas só param quando conseguem e depois partem para a causa fraturante seguinte. O açúcar é a desculpa mas, como não vemos o mesmo zelo em relação às bebidas vegetais com açúcar adicionado, sabemos que ele queria mesmo, e referiu na última intervenção, era proibir o “leite” achocolatado nas escolas, porque promove o “negócio do leite” e assim “matava dois coelhos com uma cajadada”. Aproveito para usar este provérbio enquanto se pode porque a batalha do leite achocolatado é só uma parte da guerra ao leite e a todos os produtos animais pois o objetivo do André Silva e de quem governa o PAN é acabar com tudo o que seja criação de animais para consumo, acabar com os provérbios referentes a animais e por aí adiante.
A propósito do leite escolar, os agrupamentos de escolas podem escolher se oferecem às crianças leite simples ou leite com chocolate. Sublinho que esse leite escolar achocolatado tem um teor de açúcar reduzido face ao leite achocolatado tradicional, como podem ler no comunicado abaixo. Compreendo que face ao excesso de açúcar que ingerimos diariamente se procure cortar em todos os pontos onde é adicionado, mas ao sermos “mais papistas que o papa” corremos o risco de “deitar fora a criança com a água do banho” (cá estão dois provérbios que não agridem os animais). Perguntei a uma professora do primeiro ciclo como estavam a correr as coisas agora que trocaram o leite de chocolate pelo simples, na sua escola. Disse-me que agora só 20% das crianças bebem o leite escolar, quando antes 20% eram os que não bebiam. E que bebem as crianças em vez do leite escolar? Água, refrigerantes ou sumos também com açúcar adicionado? Investiguem.
Diversos estudos tem apontado o Leite achocolatado como «excelente bebida para desportistas porque contém hidratos de carbono, proteínas, gorduras, flavonóides, electrólitos e outras vitaminas. É uma opção de baixo custo e deliciosa para a recuperação e fornece efeitos superiores ou similares aos das bebidas desportivas tradicionais», disse à Reuters um professor iraniano, em agosto de 2018. Há muita informação interessante sobre o leite na prática desportiva para quem quiser pesquisar.
Porque tem sido sucessivos os ataques ao leite e uma empresa que vende uma “cola light”, sem açúcar (mas com edulcorantes!) aproveitou para atacar o leite achocolatado, vai aqui de seguida um esclarecimento. 
Carlos Neves

ESCLARECIMENTO- LEITE COM CHOCOLATE NO CONTEXTO ESCOLAR
Foi ontem publicado no Jornal Público uma notícia relativa à taxação do açúcar presente nos refrigerantes, a qual enuncia alegadas argumentações de uma empresa do sector acerca da constituição do leite com chocolate distribuído nas escolas nacionais.
Importa repor a verdade, sendo lamentável que uma empresa apresente argumentos falsos visando aliviar a pressão fiscal sobre os seus produtos, denotando desnorte e, acima de tudo, falta de ética indesculpáveis.

O leite achocolatado destinado às escolas é de composição diferente do leite achocolatado tradicional, tendo regras específicas, sendo que em Portugal o valor máximo é de 3,5g de açúcar adicionado/100ml.
Assim, a presença máxima de açúcar adicionado num litro de leite com chocolate é de 35 gramas, ao contrário das referidas alegações que, erradamente, apontavam “100 gramas de açúcar por litro”.
Mesmo no caso dos leites achocolatados tradicionais os teores de açúcar adicionado são muito inferiores aos citados 100g/litro.
De acordo com o Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física (IAN-AF) 2015-2016, podemos constatar que o grupo de alimentos “batidos de leite e leite com chocolate” contribui, apenas, com 1% para a ingestão total de açúcar da população Portuguesa.
Esclarece-se também que o leite apresenta na sua composição um açúcar naturalmente presente, denominada lactose, cujos guias internacionais, nomeadamente da Organização Mundial de Saúde, excluem da vigilância sobre os efeitos na saúde, por não apresentarem efeitos adversos, ao contrário dos açúcares adicionados.
Está cientificamente provado que o leite é um alimento saudável e o seu consumo diário é recomendado em todos os guias alimentares oficiais, incluindo da Organização mundial de Saúde (ONU) a Direção Geral de Saúde (Estado Português).
Comparações falaciosas e intelectualmente desonestas entre um alimento nutricionalmente rico, como é o leite, e miscelâneas de água com açúcar apenas denunciam desespero e incapacidade de lidar com a evidência dos factos.
ANIL – Associação Nacional dos Industriais de Lacticínios
FENALAC – Federação Nacional das Cooperativas de Produtores de Leite

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publicado às 07:33

O leite não tem antibióticos!

por Carlos Neves, em 11.03.21

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25 de fevereiro, véspera da “manifestação das botas”:

- Que estás a fazer, Carlos?
- Estou a lavar esta vitela para ir amanhã à manifestação!
- Manifestação, porquê?
- Por causa do preço do leite, está muito baixo para os produtores e os custos de produção estão a aumentar.
- Mas eu pago o leite caro!
- Tem a certeza? Olhe que um litro de leite UHT meio gordo custa agora menos de metade do que custava quando aderimos à CEE. Se acompanhasse a inflação agora custava 1,20€.
- Ah, mas eu compro leite sem lactose.
- Pois, esses leites especiais são mais caros, mas é uma opção par quem tem dificuldade na digestão do leite normal…
- E aí do tanque não podia beber…
- Sim claro, tem mais gordura… e deve-se ferver primeiro.
- E também tem antibióticos…
- Antibióticos? Credo! Se encontrassem resíduos de antibiótico no tanque, até andava de lado! Não me pagavam o leite e eu ainda tinha de pagar todo o leite de outros agricultores que fosse contaminado! colhem amostras para análise em todas as vacarias, todas as vezes que carrega leite para o camião e tiram amostras em cada camião antes de descarregar na fábrica do leite (teste rápido). Se tivesse antibióticos não servia para fazer iogurtes. E depois ainda há controlos no leite embalado. O leite é dos alimentos mais analisados!
- Mas vocês injetam as vacas se estiverem doentes…
- Sim, se uma vaca estiver doente temos de tratar, segundo o conselho do veterinário. Depois o leite desses animais vai para a fossa enquanto o animal está em tratamento e durante mais alguns dias, o intervalo de segurança, enquanto houver resíduos a serem excretados. Antes de aproveitar, fazemos uma análise, colocando uma gota de leite num tubinho, a 64 graus, durante 3h15. Se o resultado for amarelo, está bom e podemos aproveitar o leite, se for azul ainda tem resíduos e temos de voltar a analisar no dia seguinte até ter a certeza que está bom. Mesmo na agricultura biológica também utilizam antibióticos, se houver risco de vida para o animal e nesse caso aumentam o tal intervalo de segurança.
Pode beber qualquer leite descansada que não tem resíduos de antibióticos!
#carlosnevesagricultor

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publicado às 07:22

Obrigado pelo feedback!

por Carlos Neves, em 08.03.21

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Quando aproximamos um microfone (que esteja ligado) da coluna onde se reproduz o som que está a captar, obtemos um barulho muito desagradável devido ao “efeito de Larsen”, mais conhecido por feedback, provocado pelo ciclo vicioso de emissão – captação - amplificação – emissão.    

Contudo, no processo geral de comunicação, ter feedback é essencial. Feed= alimentação; Back= voltar (para trás). Trata-se de ter retorno da informação / mensagem transmitida. A mensagem chegou? O recetor entendeu o que queríamos dizer? De forma muito breve, chamei a atenção para isto na intervenção que tive o gosto de fazer nas Jornadas Internacionais, organizadas pela Associação de Estudantes de Medicina Veterinária da UTAD, sobre “comunicação do bem-estar dos bovinos, do agricultor e do consumidor”. Por via digital, naturalmente.

Apesar do cuidado que a organização teve para me preparar, na hora de partilhar algumas imagens da minha apresentação, ocupei todo o ecrã do computador e fiquei sem ver os outros participantes. Para quem estava a assistir era melhor, para mim foi como falar no escuro. Com os microfones da assistência desligados e sem conseguir ver qualquer rosto, fui falando para a câmara sem saber se tinha perdido a ligação e estava a falar sozinho ou se estavam a rir, a bocejar, a franzir o sobrolho, a concordar ou discordar. No resto da comunicação e na mesa redonda já pude “navegar à vista” e perceber se estava a interessar de modo a parar antes de aborrecer.

Após o fim do colóquio, já no meio das vacas, recebo uma mensagem da minha prima Filipa, que estuda veterinária na Universidade de Évora e assistiu às jornadas. A mensagem trazia um brinde, uma foto especial, da minha tia Julieta, na casa que foi do meu avô Figueiredo, a ver a palestra num tablet, no momento da minha “apresentação” inicial. Eu comecei a palestra a cantar, como num dos meus primeiros post (ver aqui) e mostrei depois o meu avô Figueiredo, de quem herdei o gosto de falar e o ser “careca” (ver aqui). Fiquei feliz por saber que a tia Julieta gostou de ouvir o sobrinho falar e reconheceu de imediato o sogro. Foi um feedback muito especial!

Obrigado Filipa e obrigado a todos os que clicam no “gosto”, que comentam, que partilham. Sem vocês, isto não faz sentido. Sem vocês, não há comunicação!

#carlosnevesagricultor

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publicado às 00:49

Camas novas: bem-estar animal

por Carlos Neves, em 07.03.21

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- Pai, que andam aqueles senhores a fazer na vacaria?

- Estão a colocar camas novas para as vacas.
- Camas novas?
- Sim, os colchões antigos ficaram rotos e estão a trocar. Anda ver!
- O que é aquela coisa azul?
- Aquilo é a esponja, é o que faz a cama das vacas ser confortável. Depois leva uma borracha e por cima colocámos algum serrim, todos os dias.
- Para quê?
- Para as vacas ficarem mais secas e mais limpas.
- E para que são estes ferros?
- Chamamos a isto cubículos. Servem para separar o local de cada vaca se deitar, cada uma no seu sítio, sem risco de pisarem ou magoarem as outras. Ficam mais limpas e aproveitam melhor o espaço, como os carros estacionados.
(O tamanho dos cubículos está estudado para medidas ideais. Se for demasiado pequeno as vacas não tem espaço para se deitar, se fosse demasiado grande iriam sujar-se.)
- Porque estás de joelhos?
- É um teste que devemos fazer. Se conseguimos ajoelhar-nos sem dor, a cama é confortável para as vacas.
São detalhes como estes que em conjunto formam o Bem-estar animal. E quando os animais estão bem, respondem produzindo melhor e o agricultor e o consumidor também se sentem melhor.

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publicado às 12:06

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