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Silagem de milho - a história e as minhas histórias

por Carlos Neves, em 30.08.20

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Ajudando os meus vizinhos, voltei esta semana a sentir o cheiro fresco da silagem de milho recém-cortada. Em 2020 isto é um ótimo sinal, porque a perda de olfato é um dos sintomas do Covid. 

Apesar da silagem ser uma tecnologia “recente” em Portugal, sabe-se que egípcios, romanos e  europeus medievais já usavam esta forma natural de conservar as plantas para alimentar os animais ao longo do inverno. Cá na família, foi em 1957 que o meu pai construiu os primeiros silos, verticais, então só para guardar a palha de milho, depois de retirada a espiga. Alguns anos mais tarde, quando se começou a ensilar milho com espiga, as “jornaleiras” que vieram ajudar ficaram espantadas e revoltadas porque o povo ia morrer à fome sem o pão de milho que era a base da alimentação. A planta de milho era cortada manualmente, transportada em cestos para o silo, calcada também manualmente e depois retirada por umas janelas diretamente para a manjedoura das vacas.  Uma trabalheira, portanto. Depois o meu pai adaptou uma forma de usar a força do trator para mover essa geringonça. Mais tarde, em sociedade com 2 vizinhos, comprou a primeira “máquina de ensilar”, uma “kemper” e construiu o primeiro silo trincheira. Uma das primeiras memórias que tenho com trator é de ir ao colo do meu pai a cortar silagem, devia ter 5 anos, com um ford 3000 trocado em 1980 pelo Massey Ferguson  265 com que ensilei depois muitos anos. Entretanto acabou a sociedade e cada um comprou a sua máquina. Nessa altura o meu pai comprou uma Krone, de uma linha, com um tambor que rodava o milho para cair num tapete de lona do lado traseiro da máquina. Nesse tempo a silagem exigia-nos “abrir caminhos à foucinha” antes de poder entrar com o trator (não se deixavam caminhos de rega no meio dos campos) e meter esse milho “à posta” para dentro da maquina – trabalho duro e moroso, agravado num ano de inverno precoce que nos obrigou a cortar dois lameiros assim, com a foucinha e levar manualmente para a maquina. Foi com essa máquina que comecei a ensilar. Como eu ainda era pequeno a minha mãe andava comigo no trator a ajudar e o meu pai transportava a silagem. No silo, outra trabalheira, a silagem era espalhada com ancinhos e forquilhas antes de ser calcada com o trator que , aprendemos todos mais tarde, também serve para espalhar.

Em 1986 comprámos uma “claas jaguar 25”, máquina com outro rendimento, boa para apanhar milho caído, tombado pelos temporais, mas que me dava um trabalho enorme a tirar os bicos e engatar de topo cada vez que mudava de campo, por causa dos caminhos e entradas estreitas. Outra dor de cabeça era desentupir a máquina quando empapava.  Numa das campanhas, o disco de afiar as facas estava desalinhado em relação à mesa de corte e, quanto mais afiava, pior ficava, mas só me apercebi disso no fim, depois de desentupir a máquina 42 vezes… 

Era com essa máquina que andava a ensilar a 11 de setembro de 2001, quando caíram as torres gémeas em nova Iorque. Nesse ano já só ensilei um campo mais distante com essa máquina, porque desde o ano 2000 que passámos a recorrer à prestação de serviço de corte de silagem com automotriz. Nessa altura os vizinhos receberam a “novidade” com críticas e desconfiança, mas rapidamente se renderam e aderiram. Agora fazemos num dia o que demorava um mês antigamente. E como estas grandes máquinas exigem vários reboques para o transporte, voltámos às “sociedades”, recordando e renovando o antigo convívio das desfolhadas, que este ano tem de ser com as medidas de segurança anti-covid.

PS (a quem não é agricultor): Nesta colheita de milho para silagem, como de costume, é possível que as máquinas façam barulho após o por do sol, que os tratores levantem pó ou levem alguma lama para a estrada, que algumas folhas secas voem do reboque e que os muitos reboques, tratores e maquinas na rua provoquem alguns atrasos no trânsito. Pedimos a vossa compreensão e paciência. Estamos a trabalhar para vos alimentar!

#carlosnevesagricultor 

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publicado às 10:39

Que Deus vos abençoe!

por Carlos Neves, em 22.08.20

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“Sabença, Padrinho! Sabença, Vó!” Com 4 ou 5 anos, era assim que eu “pedia a benção”, como me tinham ensinado. Depois o tempo passou, cresci, deixei de pedir a benção, deixamos de ensinar as crianças a pedir a benção que ficou para o final da missa, para quem lá vai ou participa pelos meios de comunicação à distância. 

Passaram-se anos sem me lembrar disto. Lembrei-me há poucos meses quando ouvi “God bless you, sir”, (Deus o abençoe!) vindo de um emigrante paquistanês, muçulmano, depois de me comprar um litro de leite e pedir informação sobre casas para alugar, em jeito de cumprimento e agradecimento. Achei estranho, ainda mais porque uma semana antes, outro emigrante, do Bangladesh, não sei que religião tinha, e que me contactou através do facebook a pedir trabalho na agricultura, também “me abençoou”. Divulguei o pedido de trabalho, não o pude ajudar, mas, entretanto, ele encontrou outra ocupação. E tudo isso aconteceu antes do covid, numa altura em que a contínua chegada de imigrantes vindos de países muçulmanos provocava alguns comentários com receios de radicalização ou pelo menos islamização da Europa que é cada vez menos cristã praticante. E este paradoxo, de serem dois não-cristãos a “abençoar-me” sem me chamarem infiel nem me tentarem converter, fez-me refletir.

Nunca me senti numa família de emigrantes, não tive ninguém na França ou Alemanha que viesse de férias em Agosto como muitos vizinhos. E, contudo, entre 5 irmãos, o meu pai foi o único que não emigrou. Um foi muito novo para o Brasil, lá viveu muitos anos até morrer e só veio de férias quando eu já era adolescente e mais alto que ele uns 25 cm (Então, Carlinhos, tá frio aí em cima?!). Outro foi Padre missionário em África (Zaire) e dois, incluindo o meu padrinho, estiveram alguns anos em Angola, de onde voltaram em 1975.

Se a agricultura foi origem de emigrantes portugueses para o mundo, hoje é destino de imigrantes que vêm para o nosso país. Em 2002, escrevi aqui no mundo rural sobre Dmitry, um dos muitos ucranianos que então vieram para Portugal trabalhar na agricultura. Dmitry já regressou à sua terra, mas outros ficaram, como o serralheiro que reparou a máquina agrícola com que alimento as minhas vacas todos os dias. Hoje, se não fossem os imigrantes, que vêm fazer os trabalhos que dispensámos, não sei onde se encontraria gente para a apanha da fruta em Odemira ou até como seria aqui ao lado nas Caxinas, onde estão já estão mais de duzentos pescadores indonésios a trabalhar nos barcos portugueses. As voltas que o mundo dá, no tempo dos problemas com Timor isso não seria possível. Portanto, os emigrantes são importantes para funcionar a economia e para dar vida a um pais e a regiões que perdem população todos os anos.

O que procuram estes imigrantes ou os refugiados que arriscam a vida na tragédia do Mediterrâneo é o mesmo que os portugueses procuram quando emigram: uma vida melhor para si e para as suas famílias. A maioria é gente humilde, séria e trabalhadora, como nós. Alguns serão mentirosos, preguiçosos e potenciais criminosos, como alguns de nós, portugueses. Por isso será errado generalizar, seja abrindo os braços inocentemente a todos sem saber quem são, seja escorraçando e discriminando a todos como inimigos.

Com o tempo, há problemas que se podem desenvolver nestas comunidades desenraizadas onde faltam os anciãos, as mulheres, as referências morais da sociedade que são respeitados e vão censurando e corrigindo os desvios de alguns. E a situação agrava-se nas periferias das cidades com as segundas gerações, os filhos dos imigrantes que crescem à solta em bandos enquanto os pais trabalham de sol a sol. E a nossa sociedade e os nossos governantes não tem feito o suficiente sobre isto.

Nós, que vivemos na Europa ocidental, neste “primeiro mundo”, apesar das crises, da miséria de alguns, apesar da solidão e das dificuldades de muitos idosos, apesar do desemprego que vai aumentar e de toda a crise pós-covid que não conseguimos ainda antever, apesar de tudo estamos mil vezes melhor do que muitos povos de África onde há fome, seca, guerras e governos ainda mais corruptos do que os da Europa. Temos por isso alguma responsabilidade para acolher aqueles que nos procuram desesperados. Mas, tal como estando num barco temos o dever de acudir a um náufrago, também temos a obrigação de controlar o limite do barco, sob pena de irmos todos ao fundo. Passando desta imagem para a nossa sociedade, temos o direito e o dever de vigiar fronteiras e controlar quantos e quem vem viver e trabalhar connosco.

Voltando à questão religiosa, mais do que a vinda de crentes de outras religiões para a Europa, preocupa-me que os nativos da Europa abandonem a prática religiosa de seus pais e avós, os valores humanistas e cristãos que foram a matriz da Europa ocidental desenvolvida e democrática e preocupa-me uma certa “guerrilha” laicista de extrema-esquerda que, curiosamente, perante a falta de ação dos moderados, talvez bloqueados pelo “politicamente correto”, ajuda a crescer um sentimento de revolta  que se materializa no crescimento da extrema direita. Curiosamente, os extremos alimentam-se para crescer. E crescem em circuito fechado, em grupos fechados nas redes sociais onde somos “nós” contra os outros, os desconhecidos, os inimigos. E esses crescendos podem acabar mal.

Concluindo, aos nativos, aos imigrantes que para cá vieram, aos emigrantes portugueses que neste verão nos visitam, aos que não puderam vir por causa do covid ou de outra coisa qualquer e seja qual for a vossa preferência política, seja qual for a vossa religião, sejam crentes ou não crentes, quando eu digo “Que Deus vos abençoe” quero apenas dizer que vos desejo paz, saúde, que vos desejo o melhor e que espero que o Deus em que acredito esteja convosco! E desejo boas férias, também! (publicado no "mundo rural" de agosto-setembro 2020)

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publicado às 22:54

Favas contadas - à conversa com Pedro Santos da Consulai

por Carlos Neves, em 20.08.20

Ver aqui o vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=_ayii_8oSHQ&t=5s

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publicado às 22:49

Como fazer as colheitas sem colher o Covid?

por Carlos Neves, em 17.08.20

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A colheita é o momento de maior alegria do agricultor. Depois de um ano de trabalhos e cuidados, colher o que se produziu é um momento de satisfação económica e pessoal. Numa pequena horta ou quintal, a colheita pode ser um ato solitário, mas em maior quantidade exige trabalho de equipa. Torna-se assim um momento de convívio com a família, amigos, vizinhos, funcionários ou prestadores de serviços que venham ajudar. Noutros anos esse convívio seria um momento de saudável confraternização, nesta colheita especial de 2020 exigem-se cuidados para não colher o Covid junto com as uvas, espigas, frutas ou o mais que houver.
A DGAV, Direção Geral de Alimentação e Veterinária, publicou a “Orientação Técnica n.º 2/DGAV/2020/COVID-19 - MEDIDAS DE HIGIENE ESPECIAIS A OBSERVAR NOS TRABALHOS AGRÍCOLAS", cujo link coloco no fim desta publicação. O documento, com 4 páginas de linguagem simples, tem um conjunto de regras gerais para os gestores adotarem nas explorações agrícolas e regras para os trabalhadores. Tirem uns minutos para ler e, mesmo que não possam cumprir tudo, façam o que for possível.
Das recomendações, que se baseiam-se nos princípios básicos já conhecidos, destaco:
- DISTÂNCIA DE 2 METROS ENTRE AS PESSOAS TANTO NO TRABALHO COMO NO ALMOÇO OU MERENDA;
- Usar máscara durante o transporte dos trabalhadores (e em espaços fechados e sempre que possível, porque a gente distrai-se a quando repara está a falar a meio metro do vizinho…)
- Desinfectar superfícies e ferramentas;
- Lavar as mão com sabão ou desinfectar;
- Não ir trabalhar com febre, tosse, dores no corpo ou outros sintomas da doença;
- Ter os cuidados de etiqueta respiratória - tossir ou espirrar para o cotovelo, usar lenço descartável, etc.
- As empresas agrícolas devem afixar as normas da DGS e explicá-las aos funcionários, tendo especial atenção aos trabalhadores estrangeiros que podem não compreender os avisos.
EU SEI QUE VOCÊS JÁ SABIAM TUDO ISTO, que já estão fartos destas recomendações como já estamos todos fartos do COVID mas, infelizmente, a maior parte de nós, com o tempo, tem tendência a facilitar e baixar a guarda por achar que o pior já passou. Não passou. O vírus continua a circular no mundo e no nosso país. Não viaja sozinho, vai com as pessoas. E por cada caso confirmado haverá mais 5 ou 6 pessoas com o vírus (pode seu um de nós, neste momento), sem sintomas, mas que vão passando a doença até que alguns manifestam de forma ligeira, outros com complicações graves e para uma pequena percentagem é fatal. Alguns aparentemente saudáveis, outros apesar das “comorbilidades”podiam ainda viver vários anos com qualidade de vida se não encontrassem o vírus.
Tão perigosas como o vírus podem as “teorias da conspiração” em que alguns acreditam e outros partilham o que alguém escreveu - gente com muito tempo livre, muita imaginação e sobretudo muito “espírito de contradição”. Enquanto não morreu o primeiro caso no nosso país, diziam que estavam a esconder os mortos (até havia audios a circular no whatsapp); agora dizem que a pandemia é inventada, que os mortos são inventados, que usar máscaras faz mal (quando era só o pessoal dos blocos operatórios, dentistas ou doentes imunodeprimidos a usar máscara ninguém se queixava) e que a vacina trará um chip do Bill Gates para nos seguir. Pelo meio, aparecem os vendedores de banha de cobra do costume a tentar ganhar alguma coisa com isto. Valha-me Deus! Pensem um bocadinho e tenham juízo na hora de partilhar coisas que podem levar algumas pessoas a facilitar no uso de máscara ou distância (coisas simples e “naturais”) e outras a recusar a vacina que os poderia proteger, como protegem a vacina do Sarampo, da raiva, do tétano… Desejo-vos boas colheitas, em segurança. Vivam e protejam-se!
#carlosnevesagricultor
#covid19

http://www.gpp.pt/images/Agricultura/covid19/Recomendacoes_Trabalhos_Agricolas.pdf

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publicado às 21:37

A rega (pintar a paisagem de verde dá muito trabalho)

por Carlos Neves, em 10.08.20

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Com a rega me deito e com a rega me levanto. Por estes dias, é a minha sina e dos agricultores vizinhos com quem me cruzo quando vou ao campos “mudar a rega”. Nestes meses de verão, regar é trabalho prioritário que temos de juntar ao resto das tarefas agrícolas. Pintar a paisagem de verde dá muito trabalho.
Sem água a tempo e horas o verde dá lugar ao amarelo da palha e às vezes ao negro das cinzas se houver ignição. Não sendo possível fazer regadio em todo o lado, havendo água é preciso captá-la e levá-la às plantas.
Uma vez, há alguns anos, queixei - me a um ministro da agricultura sobre o trabalho e as despesas de regar e tive como resposta: "Mas vocês aqui no Norte regam? Não vi nenhum pivô…" Era o resultado de ainda só conhecer a agricultura vista a partir de Lisboa…
Num país diverso com agriculturas diversas em tamanho e avanço tecnológico, são várias as formas de rega, desde a tradicional rega por alagamento (rega ao pé), passando pela rega com aspersores fixos ou móveis, em carrinhos de rega de fabrico artesanal ou enroladores de maior dimensão e menos trabalho, até aos famosos pivôs e à rega gota a gota, com a quantidade de água calculada "a olho" ou baseada em sensores e informação de satélites. Já experimentei todas, excepto o pivô. Era suposto esta evolução simplificar o nosso trabalho… Mas entretanto somos cada vez menos agricultores e cada um com mais área para cultivar e regar. Assim o tempo que poupámos na rega habitual vamos gastá-lo a regar novos terrenos.
A origem da água pode ser uma nascente (foto de @agromancelos em Amarante) , um poço, um furo artesiano, um curso de água ou um regadio. A bombagem geralmente é baseada em motor elétrico ou a gasóleo. O “comando à distância através do telemóvel é uma ajuda preciosa para ligar e desligar o motor elétrico. Entretanto, não sei se ainda funcionará por aí algum “engenho” de tração animal. Se houver, partilhem, gostava de ver.
A agricultura é acusada de “gastar” muita água. A agricultura utiliza água, não a gasta, a água não desaparece. Uma parte da água evapora-se durante a rega, outra parte evapora-se através das plantas ou diretamente do solo, onde outra parte se infiltra até aos aquíferos subterrâneos. E os alimentos tem água (o leite tem mais de 90% de água).
O inverno e a primavera foram generosos em chuva que reforçou os aquíferos, aqui na zona, mas julho foi agreste, muito quente e seco. Agosto, mais brando na temperatura, continua seco. A água vai escasseando nos poços e cursos de água. Ao cansaço inicial da montagem dos sistemas de rega do milho, devia suceder um tempo de trabalho regular mais tranquilo até à colheita, mas as avarias vão acrescentando trabalho ao trabalho. É tempo de regar, lutar e resistir. Já faltou mais para o fim da rega...
#carlosnevesagricultor
#aicomoeugostodarega

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publicado às 21:52


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