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Parábola da vaca partida

por Carlos Neves, em 26.01.21

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 Partiu. Não sei quem foi, mas deve ter sido um espelho de um camião a entrar na quinta. A manobra é difícil, de marcha atrás, na diagonal, com inclinação, carregados de ração...

A vida de muitos de nós, por estes dias, está assim, em cacos, às vezes sem culpa de ninguém, ou, pelo menos, sem intenção. Doi, mas há-de passar. Toda a vida foi assim. Nós somos os descendentes dos mais fortes, dos que sobreviveram e deixaram descendência.
Acho que comprámos estas "vacas de barro" na fortaleza de Valença. Quando isto passar, havemos de lá voltar e comprar 🐄🐄 novas😉.Bom dia 😊
#carlosnevesagricultor

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publicado às 16:10

Meus caros, pintámos a Fénix, perdão, a fresa!

por Carlos Neves, em 25.01.21

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Aborrecidos por estar confinados em casa? Fartos de ler ou discutir sobre as eleições? Tenho algo diferente para partilhar convosco. Quem me segue regularmente deve lembrar-se da “Fresa como fénix renascida das cinzas”, onde contei que, num momento de necessidade tive de olhar à volta e, qual MacGyver, desenrascar-me com o que tinha disponível, no caso uma fresa abandonada a que faltava uma peça necessário para engatar ao trator. “Fui buscar esse perno a um velho pulverizador também encostado. Desencravei o cardan. Lubrifiquei cruzetas, veios e caixas com rolamentos e rodas dentadas que não viam massa e óleo há anos. Tirei uma verga de ferro que estava enroscada e encravada no veio das facas”, que estavam gastas. Na altura, prometi que a fresa teria umas facas novas e um pintura.

Pois bem, uma semana e alguma pesquisa depois, fui buscar as facas, aproveitando uma viagem em que levei o Pedro à Escola. Para a tinta bastou um telefonema para uma drogaria local e o Hugo, nosso funcionário, gastou umas horas a trocar as facas e fazer a pintura. “Uau!”, disse o Luís, quando viu a fresa pintada, “parece nova!” Não está nova, mas está recuperada, funciona, já destroçou as couves velhas e preparou a terra para novas couves e batatas que estão agora na terra a ser regadas pela chuva. Chuva que o S. Pedro mandou para vos convencer a ficar em casa!
Fica aqui uma sugestão para ocupar estes dias sombrios parta além de rolar o dedo no telemóvel e discutir política. Vão ao sótão, ao armário, à arrecadação, redescubram memórias, recuperam alguma coisa, façam uma limpeza ou uma pintura… Vão sentir-se melhor com a cabeça ocupada e o prazer de fazer alguma coisa (mas não se aleijem!).
Por último, só quero dizer que pintar a fresa de azul não tem qualquer significado político ou desportivo, azul é apenas a cor de origem desta fresa italiana da marca “Maletti”. Mas, já agora, reparem que engatei a fresa a um trator vermelho e que precisam um do outro para funcionar e realizar trabalho, ok?
Ah, o título deste texto era para ser “Queridos, pintei a fresa”, inspirado naquele programa de TV sobre obras na casa, mas não sabia como vocês iriam reagir com tanta intimidade, não sei se são todos assim tão queridos e não fui eu que pintei…😀

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publicado às 15:09

O que faria eu se tivesse um restaurante parado por causa do covid?

por Carlos Neves, em 22.01.21

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Sinceramente, humildemente, não sei. Lamento. Tanta certeza sobre tanta coisa nessas redes sociais e eu aqui cheio de dúvidas. Não sei o que faria, como me sentiria, se estaria deprimido, com raiva, desesperado ou conformado… Mesmo assim, quero responder a alguém que me interpelou sobre o assunto.
Eu sei que “quem está de fora racha lenha” e que costuma dizer-se, de forma negativa, que é fácil falar quando não estamos debaixo dos problemas. Mas também é mais fácil pensar em soluções para quem não está sob pressão. Ainda bem que o dentista não nos atende cheio de dor de dentes. Só iria atrapalhar. Por isso arrisco. Pode ser que as minhas reflexões sirvam de alguma coisa a alguém. Se não servirem, perguntem a outra pessoa. Telefonem, escrevam, desabafem, ouçam opiniões, procurem soluções. Alguém de fora, com um ponto de vista diferente, pode apontar o caminho ou simplesmente ouvir-vos e, depois de desabafar, sentindo-vos mais aliviados, pode ser mais fácil para vocês encontrar a saída.
Seguindo o conselho de José Regio, “Não sei por onde vou, sei que não vou por aí”, eu evitaria ilegalidades que agravem a pandemia, como abrir restaurantes às escondidas. Quanto mais depressa isto se resolver, quanto mais a sério todos fizermos este combate ao Covid, mais depressa o problema se vai resolver e poderemos recomeçar. Os países que enfrentaram a pandemia com mais força são os que estão melhor economicamente.
A primeira coisa que eu faria era queixar-me à minha associação. Foi o que comecei a fazer quando me instalei em 1996 como jovem agricultor, comecei a queixar-me e a dar sugestões ao Carlos Torres Maia, então jovem agricultor na freguesia vizinha de Fajozes, amigo da família e membro da direção da AJAP. Passados alguns anos, quando ele decidiu deixar a direção da Associação, indicou-me como elemento a convidar como sucessor. Eu recusei o primeiro convite, mas aceitei ir jantar ao restaurante merendola, na Maia e lá me convenceram. Lá está, temos de proteger os restaurantes. Os maiores negócios e os mais importantes acordos e contratos fazem-se à mesa.
É uma ilusão pensar que uma pandemia se resolve numa semana. A experiência de 20 anos de “sindicalismo agrícola” também me ensinou que não basta uma greve ou manifestação para resolver os problemas. É preciso persistir, insistir, comunicar regularmente. A sociedade e o poder político precisam de saber das vossas dificuldades. É justo que haja apoios imediatos para quem tem de parar. É justo que essas ajudas sejam prioritárias. Se não houver dinheiro, é justo que se aumente algum imposto, de forma proporcional. Há quem esteja com mais rendimento disponível porque a pandemia impede de gastar o dinheiro nos restaurantes, nos hotéis, nos cruzeiros ou nas atividades culturais.
Façamos à distância tudo o que for possível. Não pode vir a diária no prato, venha a marmita quentinha do restaurante para comer à distância de segurança com os colegas de trabalho. Não posso ir com a família ao restaurante no fim de semana, venha o Takeaway. Vai resolver tudo? Não, mas “é melhor acender uma vela do que berrar contra a escuridão”. Depois da noite, para os que sobreviverem, virá a madrugada. A vida vai continuar. De formas diferentes, os próximos dias e semanas vão ser duros para todos. Se conseguirmos falar das soluções em vez de discutir culpados, poderá ser mais fácil ultrapassar este mau bocado.

P. S. - Há uma parábola sobre alguém que teve hipótese de visitar o inferno e viu toda a gente sentada à mesa a sofrer com fome porque os talheres tinham 1 metro de comprimento. Visitou depois o céu e viu as pessoas com os mesmos talheres, mas cada um dava de comer ao que estava na frente. Se tiverem tempo livre, procurem ajudar alguém que precise ainda mais de ajuda do que vocês. Vai ser bom para os dois. 
(na foto, nascer do sol do dia 19/01/2021)
#carlosnevesagricultor

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publicado às 06:12

Nascido para conduzir trator. Forçado a ir para a escola

por Carlos Neves, em 19.01.21

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Eh pá! Irra! Ainda há gente que gosta do confinamento! 😀

Mais a sério... Aqui vamos para mais uma semana difícil na pandemia e vem chuva a partir de terça feira🌧️. Vai ser bom porque as pessoas ficarão mais em casa e espalham menos o vírus. Com a chuva sobe a temperatura, o que também ajuda a travar a propagação do coiso.
Sugestões para manter o ânimo e saúde mental, sua e dos outros: "leia um livro, jogue um jogo com sua família, telefone a um amigo... ah sim, coma um pouco de queijo também 😜🧀"
#carlosnevesagricultor

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publicado às 06:14

Aroma a caramelo e gratidão

por Carlos Neves, em 17.01.21

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Em "Forrest Gump", um dos meus filmes preferidos, Tom Hanks dizia-nos que "a vida é como uma caixa de chocolates, nunca sabemos o que vamos encontrar lá dentro".🙂 Isso é ainda mais verdade para um rolo de erva plastificado. Sabemos que metemos erva lá dentro, não sabemos como a vamos encontrar. Por má qualidade do plástico, por descuido na manipulação, por causa das unhas de um gato ou da maldade de alguém, um furo pode deixar entrar o ar que vai permitir bolores e podridão.
Neste rolo correu bem. Se a internet tivesse cheiro, podia partilhar convosco o aroma levemente caramelizado desta "fenosilagem". Por outro lado, ainda bem que não tem😀, porque uma quinta também tem cheiros do estrume ou de silagens com mais humidade que vos poderiam agora incomodar.
Há 15 anos, quando tirei o curso de formação de formadores, o meu trabalho final era sobre receber visitas na quinta e achei importante mostrar os alimentos dos animais. Assim, tive a brilhante ideia de levar feno ( que foi pacífico) e também um pouco de silagem 😂. Nunca mais me esqueço a cara da formadora e dos colegas no curso quando abri a saca de plástico e sentiram o cheiro forte de 1 kg silagem de milho na sala de formação. Voltei a fechar e nunca mais repeti a experiência...
A gente precisa de tempo para se habituar aos cheiros, como aquele senhor que levava um porco às costas:
Onde vais com esse porco?
Para casa?
Onde o vais guardar?
No meu quarto.
E o cheiro?
Ele habitua - se!

Na verdade, não estava previsto fazer este rolos de fenosilagem na Primavera passada. O objetivo era fazer feno em fardos pequenos, para facilmente guardar e dar aos vitelos, mas depois de vários dias ao sol e ao vento , apesar de virar a erva várias vezes, ameaçava chover e o feno não estava seco suficiente. Então optei por dividir o risco, guardei em fardos pequenos uma parte do terreno onde a erva estava mais seca e chamei um colega agricultor e prestador de serviços para me enrolar e plastificar a restante erva sem risco de ganhar bolor. Por isso é que agora tenho estes rolos de quase feno com cheiro a caramelo e também a gratidão aos prestadores de serviços que nos ajudam nos trabalhos agrícolas e sobretudo quando estão disponíveis para nos desenrascar nestes momentos de aflição. Obrigado a todos!
#carlosnevesagricultor

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publicado às 12:16

Confinando erva

por Carlos Neves, em 16.01.21

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Ontem foi dia de guardar alguma erva sob a forma de rolos plastificados. Se ainda não viram, podem espreitar aqui o vídeo que publiquei em direto: https://www.facebook.com/109029053828736/videos/200021951832523/. 

Ainda não é a colheita principal da erva. É um primeiro corte, que nós chamamos “corte de limpeza”, porque serve para eliminar algumas ervas daninhas, como é o caso dos saramagos. Assim, o azevém que semeámos poderá crescer agora mais forte e sem a concorrência dessas ervas indesejadas até à colheita final.

A produção de erva neste primeiro corte é muito limitada, mas a qualidade, em percentagem de proteína, é superior. Apesar da geada, os dias de sol ajudaram a fazer uma pré-secagem que aumentou a matéria seca da erva a guardar e ajudará a uma fermentação mais equilibrada. .Ficamos assim com uma reserva alimentar para os próximos meses, até à colheita da erva sob a forma de feno ou silagem no início de Abril. E fiquei também com mais umas fotos para o álbum de recordações e para partilhar convosco.

#carlosnevesagricultor

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publicado às 06:54

Então, como se sentem?

por Carlos Neves, em 15.01.21

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“Não posso garantir que vou resolver todos os teus problemas, mas posso prometer que não tens de ficar só nesse combate!” – Farmer Tim.

Então, como se sentem?

O meu colega canadiano Farmer Tim dedica uma particular atenção nas suas publicações à saúde mental. Há pouco tempo, partilhei aqui um texto que ele escreveu no ano passado, dando testemunho das coisas práticas que fazia para evitar a depressão, desde a música do despertador até à pintura do estábulo. Ele voltou ao assunto esta semana , a propósito do confinamento no Canadá (lá como cá), e eu também sinto por cá tanta revolta e angústia em relação ao vírus, ao confinamento e ao futuro de muitas vidas, que me parece útil partilhar convosco uma perspetiva diferente das nossas críticas e discussões:

“Então ... como vão? 😕 Eu vi alguns de vós a lutar bravamente esta semana e sei que vocês não são os únicos que estão a sofrer. É uma temporada difícil para muitos, e quando se pensa no confinamento e num futuro incerto, os dias escuros e sombrios do inverno realmente tornam-se dominantes. Ninguém está imune. Existe apenas um de mim, mas existem muitos de vós. Esta é a vossa hora de brilhar e fazer a diferença na vida de alguém. Quero que vocês ajudem uns aos outros para que possamos superar isso. Se você estiver com dificuldades, entre em contato. Se você encontrou uma maneira de lidar com isso, compartilhe. Se alguém partilhar a sua história, honre a sua bravura com compaixão e compreensão. É hora de nos colocarmos no lugar dos outros e ajudá-los se pudermos. Vamos quebrar o isolamento, o estigma e a solidão juntos (mantendo a distância de segurança). Se deixarmos um pouco de sol entrar no coração de uma pessoa, teremos sucesso. Obrigado pela ajuda 🤗❤️ "Você está aqui por uma razão e essa razão é para ser você." Por favor compartilhe. Você pode salvar uma vida." (Farmer Tim) 

(foto minha, do pôr do sol em Árvore a 14 de janeiro de 2021)

#carlosnevesagricultor

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publicado às 06:36

Galinha desconfinada

por Carlos Neves, em 14.01.21

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12 de janeiro de 2021, 7h43. Da porta da cozinha até ao escritório da vacaria são apenas 10 metros mas tinha que fazer um desvio à esquerda de mais 10 metros para abrir o portão da rua (neste momento os leitores que passam horas no trânsito de casa até ao trabalho têm um pico de inveja, paciência :) ). Estava frio. Apertei o casaco, cerrei os dentes e acelerei o passo até ao portão, mas quando lá cheguei e olhei para o lado, abri os olhos, esbocei um sorriso e puxei do telemóvel. Não podia perder aquela imagem. No meio do jardim, impávida e serena, no silêncio de uma manhã com a rua ainda deserta, uma galinha debicava umas ervas e aproveitava os primeiros raios de sol que davam ao momento uma luz especial.

Por norma e por falta de acesso apropriado as nossas galinhas estão confinadas no galinheiro, mas a minha esposa concede licença de saída precária a algumas desgraçadas que são vítimas de bullying por parte das outras galinhas. Era o caso desta.
Como moldura deste quadro temos um arco que já foi roda de um “engenho” de rega. Recordo-me de o colocarmos aqui há mais de 30 anos. Não sei de onde veio, talvez do poço do campo da Serôdia, que ficava junto à rua das “Barreiras” (Rua de Quintã), que já teve uma cova de onde tiraram barro, que depois foi cheia com lixo e entulho, foi campo cultivado e regado também por mim e que agora tem plantados apartamentos. Desse poço, talvez por causa dos vapores da velha lixeira, contou o meu pai que puxou um empregado que ia ficando intoxicado.
Este arco passa uma boa parte do ano escondido por uma trepadeira que parece aquelas pessoas vaidosas sempre a armar-se e a pôr-se à frente dos outros. Agora, no inverno, o velho arco de ferro está à vista de todos. Os ferreiros que o fizeram e que certamente já estão no eterno descanso não podiam imaginar que tantos anos depois a sua obra iria ser entrada de um jardim, moldura da fotografia de uma galinha, tema para mais uma publicação e motivo para um sorriso vosso... :) Fiquem bem!
#carlosnevesagricultor

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publicado às 06:38

Fresa como Fénix renascida das cinzas

por Carlos Neves, em 13.01.21

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“A fénix era um pássaro da mitologia grega que, quando morria, entrava em autocombustão e ressurgia das próprias cinzas.”

Uma fresa é uma máquina com facas que serve para cortar e mexer a terra antes de sementeiras ou plantações. Esta fresa, comprada pelo meu pai em 1980, estava parada há meia dúzia de anos, encostada a uma parede, substituída por uma máquina maior que comprei há 22 anos e já troquei por outra mais perfeita no trabalho. Para pequenos trabalhos do quintal o motocultivador do Hugo costumava bastar. Quanto a esta fresa, com a falta de uso, o calor do verão e a nossa preguiça, ervas trepadeiras cobriram-na e abafaram-na. Se algum sucateiro tivesse passado cá por casa era capaz de a ter vendido por dois tostões. 

A geada de inverno murchou as ervas que cobriam a fresa. A necessidade de preparar um pequeno talhão de terreno para as primeiras batatas sem mexer na fresa grande que está parafinada à espera das lavouras para o milho levou-me a olhar de novo para esta máquina. Seria ainda capaz de funcionar? Recordo-me que parou a trabalhar. Faltava-lhe apenas um “perno” necessário para engatar ao trator. Fui buscá-lo a um velho pulverizador também encostado. Desencravei o cardan. Lubrifiquei cruzetas, veios e caixas com rolamentos e rodas dentadas que não viam massa e óleo há anos. Tirei uma verga de ferro que estava enroscada e encravada no veio das facas.

Fui buscar o trator que o meu pai comprou com esta fresa. Ainda me lembro da surpresa e da alegria que senti, com 6 anos, ao ver um trator novo na garagem, do cheiro a tinta, das letras douradas da fresa. Italy - Maletti. Comecei a conduzir muito cedo com esse trator, demasiado cedo para os padrões atuais. Quem olhava ao longe pensava que o trator andava sozinho no campo.

Recordei estas memórias enquanto preparava um talhão que terá pouco mais de 10m x 10, satisfeito porque recuperei uma máquina e completei uma tarefa. Não ficou um trabalho perfeito porque algumas facas estão muito gastas, mas vamos colocar facas novas e dar mais alguns retoques. A ida para a sucata fica adiada por mais uns anos. Velhos são os trapos. Esta máquina ainda foi útil. Pensei também nos velhos que se sentem inúteis e sós, mais sós com a pandemia que não fomos capazes de controlar e mais sós com o confinamento a que temos de voltar para os proteger. Espero que esta pequena história, além do entretenimento, seja um alento para os mais velhos e um desafio para os mais jovens quebrarem esse isolamento dos mais velhos. Enquanto há um fio de vida, por pouco que seja, podemos ser úteis.

#carlosnevesagricultor

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publicado às 06:58

Análises de terra - colher para semear

por Carlos Neves, em 11.01.21

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"Não herdamos a terra dos nosso pais, recebemo-la emprestada dos nossos filhos"

O sol de inverno que aqueceu o segundo domingo deste frio janeiro permitiu que hoje, pela primeira vez, o Luís acompanhasse o Pedro na tradição familiar de colher amostras de terra para análise. É uma tarefa relativamente leve, sem riscos e que nos permite caminhar, conhecer os campos, apresentar as árvores e contactar com a natureza enquanto fazemos algo útil.
Em cada parcela de terreno, caminhamos em zig-zag, levando uma sonda com um tubo metálico que se espeta no solo até 20 cm, se roda e retira para colher uma pequena amostra. As amostras dos vários pontos juntam-se no balde e depois são colocadas num saco, devidamente etiquetado, que os técnicos da cooperativa encaminham para o laboratório de solos. Uma parte das amostras já foi recolhida pelo Eng. Vítor Faria.
Repito as análises a cada dois anos, para saber como evolui o pH do solo, o teor de matéria orgânica e dois macronutrientes, fósforo e potássio. Não se analisa o azoto porque ele é facilmente arrastado pelas águas e não permanece no solo da mesma maneira.
As análises regulares ao solo permitem-me poupar dinheiro, por não aplicar adubo desnecessário, proteger o ambiente, porque esse excesso de adubo iria causar poluição, corrigir o PH com adição de calcário se for preciso e e aplicar a dose correta de cada nutriente para ter a melhor produção possível em qualidade e quantidade.
Com o resultado das análises, vou depois recorrer ao aconselhamento dos engenheiros agrónomos da cooperativa onde compro o adubo, valorizando também o chorume ou estume aplicado na terra, para fazer uma correta gestão dos nutrientes do solo. Se tiver dúvidas, poderei ainda recorrer aos técnicos das empresas que vendem sementes ou adubos. Valorizo experiências e opiniões de colegas, mas não me guio por modas de grupos do Facebook ou do whatsapp. Na adubação da terra, na política ou na saúde, precisamos de boas informações para tomar boas decisões, com aconselhamento dos especialistas credíveis em cada assunto.

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publicado às 00:10


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